segunda-feira, 4 de abril de 2016

O que vai te matar.

São tantas coisas que hão de matar-me
O cigarro há de matar-me
O açúcar há de matar-me
A democracia há de matar-me
Absolutamente, como uma dama
Sedutora ingrata que é
Seduziu-me sua ideia e liberdade
Uma farsa árdua que há de matar-me
Lentamente.
A democracia simplesmente não existe
Como o romance que acaba
Após três trepadas homéricas
A dose seguinte é intragável
Tentamos beber e adoecemos
Canalhas do mundo me iludem nos jornais
E se deitam em minha cama
Eu sei o que eles querem
Mas finjo que não sei.
A educação também há de matar-me
Já que sua função é construir
E não desconstruir todas armadilhas sociais
São tantos os que hão de matar-me.
Logo cedo o despertador anuncia
Mais um dia que não venci e obedeci
Espero o grande dia chegar,
Mesmo sabendo que ele nunca chegará
São tantas coisas que hão de matar-me
As palavras que me traem quando mais careço delas
As notícias das redes sociais
O homem que amei e se foi
A dívida que acumulei e não paguei
O medo das pessoas
A inocência da minha filha
O preço da carne
Um cão abandonado
Os dias desperdiçados
A vida matada num meio dia no meio da sala.


(Mariana Lima de Almeida)









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