quinta-feira, 5 de maio de 2016

O filho que não fizemos.






O filho que não fizemos vive sempre ao meu lado
O filho que não fizemos gerou-se pela ausência
Nem sangue, nem veias, nem nada....
Gerou-se pelos ares, azares
Mas sussurra enquanto caminha ao meu lado
Nos acusando, de fato!



Aquela foda infeliz foi incapaz de gerir,
Semear vida e florir.
Aquela foda infeliz gerou somente rancor
Daquele encontro de pele e dor
Foram palavras expostas, promessas falsas
Um amor canalha que marca na alma como faca


O filho que não fizemos fez-se por si só
E foi abandonado como lixo jogado no mato
Ainda que jogado sem ser fecundado
Pior que feto abortado, talhado
Insiste em crescer e viver ao meu lado.


(Mariana L. de Almeida)




Postar um comentário